Assunto forte e relativamente evitado em muitas relações sociais, principalmente nas mídias virtuais. De modo que quando tratam de temas que envolvem generosidade, acabam por banalizá-la e distorce-la, em uma espécie de tentativa compulsória de determinar novos valores às ideologias benevolentes. Um caso que podemos observar é o de uma matéria publicada no site Globo.com que relata sucintamente a história de uma mulher com câncer terminal e que após o diagnóstico a mesma decide escrever uma "lista de desejos" para realizar antes da morte. Os amigos da mulher publicaram o assunto no Facebook, e ela tem sido presenteada com, assim como cita o site:
[...] entradas para festivais de música, bilhetes para teatro, tratamentos em spa, jantares em restaurantes chiques e até conseguiu viajar para visitar os pais no Chipre. Sem falar no passeio de limousine, com muito champagne, organizado por um grupo de amigas, no seu aniversário.
Ajudar alguém nessa situação é nobre, entretanto é uma lástima ver que alguns seres humanos ajudam a alguém que "irá" para a morte, mas seriam incapazes de ajudar uma pessoa que "começará" a viver. Taxar-se de "bom" às custa da imagem de uma mulher que está morrendo traz uma de ilusão de generosidade! Essas mesmas pessoas seriam verdadeiramente generosas para ajudar à uma criança que não tem um lar a conseguir um? Elas disporiam de algum dinheiro "generoso" para comprar livros e contribuir com a educação de crianças carentes? Ou mais ainda: Publicariam um "Pedido solidário" de ajuda a um adolescente sem teto que precisaria de cuidados e remédios e da mesma forma, educação formal? Qual pessoa dessa rede social seria generosa em "Compartilhar", "Curtir" ou doar algo? É provável que o índice de ajuda seria muito menor.
Esse tipo de "generosidade" das redes são simplesmente espasmos para aliviar a consciência de pessoas que passam seus dias imersos à rotinas frias e sem amor ao próximo e dedicam-se unicamente ao trabalho, interesses próprios e talvez sejam corruptas (atitude comum entre os que citam "jeitinho brasileiro" para resolver algo como furar o semáforo, colar na prova, desrespeitar as leis que podem ser tratadas como corrupção).
O homem "criou" o amor para tê-lo e doar ao próximo e "criou" a generosidade assim como outros sentimentos e ações, mas alguns usam esta generosidade como autoafirmação para sentirem-se dentro dos padrões morais regidos por algumas sociedades e religiões, como foi o caso do artigo citado acima. Ter esta atitude pode ser dita como enganar a si próprio.
Abaixo o link do site Globo.com para mais informações sobre o artigo citado:
